Três fatos inéditos em greves no TJBA  escrito em terça 29 junho 2010 01:29

Blog de sempadrinhos :SEM PADRINHOS, Três fatos inéditos em greves no TJBA

Por Osenar Santos

Oficial de Justiça – Comarca da Capital

Nos últimos meses, desde o início do movimento dos servidores em prol da greve, tenho observado quase calado o comportamento das entidades sindicais e da mesa diretora do TJBA, e, analisado-as à luz dos comentários que acontecem nos bastidores. Comenta-se (ou comentava-se) que a presidente do SINPOJUD, Zezé, é (ou era) amiga íntima da Desa. Telma Brito e que esta gestão do TJBA seria norteada pelos acordos entre as duas presidentes-amigas e que Zezé faria qualquer sacrifício para garantir que a gestão Telma Brito lograsse êxito. Bem que tentou, mas, no caminho tinha uma pedra chamada “servidores da base”.

Como já é sabido por todos, a greve ocorreu unicamente em decorrência da força e indignação da base da categoria e que as diretorias dos sindicatos só cumpriram (e muito mal) sua obrigação estatutária em acatar (e muito mal) as deliberações da assembléia.

Três fatos inéditos no TJBA ocorreram nesta greve:

O primeiro foi a supracitada má vontade das diretorias em assumir os rumos do movimento de forma a contemplar os anseios da categoria, o que ampliou o desgaste de uma diretoria que só foi eleita por falta de opção, haja vista as últimas eleições no SINTAJ serem realizadas com chapa única e no SINPOJUD a oposição dividida acabou por beneficiar a chapa oficial. Tal desgaste colocou em evidência a crise de representação sindical instalada no seio da categoria.

O segundo fato foi a divisão da opinião da categoria quanto ao extinto adicional de função: Existe quase uma unanimidade a cerca do estorvo que esta gratificação representou e representa (agora com o nome de CET) para o crescimento remuneratório da categoria. O divisor de águas foi a forma como o TJ deveria se livrar do estorvo. Alguns queriam cortar pela cepa, outros achavam que seria injusto e que o mais adequado seria a incorporação na forma prevista no PIAF dos sem padrinhos. De fato, esta divisão acabou diminuindo o brilho do movimento e provocou uma situação constrangedora  entre colegas que muitas vezes são vizinhos de mesa.

O terceiro fato inédito foi a intransigência com que o chefe do poder conduziu as negociações (ou falta delas) e a liberdade que teve ao aplicar as penalidades aos grevistas. Teria sido esta postura da Desa. Telma alicerçada na relação pessoal desta com a mais influente representante da categoria? – Especulam os incautos – e quais seriam os termos do compromisso quebrado de que a Desa. falou na primeira reunião durante a greve e que despertara-lhe tanta indignação?  O que deu tanta segurança à chefe de poder e seus pares a punir de forma tão violenta (e inconstitucional) os grevistas, passando inclusive por cima de decisões dos tribunais superiores? Teria sido a certeza da inércia (para usar de eufemismo) dos sindicatos em adotar os remédios jurídicos para garantir os direitos dos trabalhadores e manter a força política da greve ou seria simplesmente porque a Desa. Telma Brito está acima do ordenamento jurídico brasileiro e por isso não está obrigada a obedecer a lei (CF),  a jurisprudência (STF), nem ao órgão superior de controle administrativo (CNJ)?

Aos incautos eu respondo: não questionem muito, pois no TJBA vivemos em verdadeiro estado de exceção. Resta-nos esperar: a) pela próxima sessão do pleno que se realizará no próximo dia 30 para que atendam as súplicas sindicais e reponham os dias parados; b) pela parcela de 18% do PCS dia 30 de julho; c) pelos dados da folha prometidos pela Presidente Telma e a instalação do GT do PCS. Estes problemas terão que ser equacionados até o dia da próxima assembléia da categoria prevista para o dia 30 de julho, sob as penas da greve se insurgir mais intensa ainda, e ainda, de inviabilizar a gestão desta mesa diretora do TJBA.

O outro problema da categoria, ou seja, a crise de representação sindical, é algo que iremos enfrentar logo em breve. Esta batalha poderá ser travada em duas frentes: jurídica (a eleição do SINPOJUD ainda está sub judice) e/ou política com a reestruturação dos sindicatos e seus estatutos e conseqüentemente a sua unificação em um único sindicato cujos representantes  a categoria se espelhe e orgulhe. Os atuais representantes que se identificarem com esta proposta devem marchar com a categoria nesta direção sob pena de ficarem de fora do bonde da história.

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7 comentário(s)

  • Carlos mailto

    Qua 30 Jun 2010 02:54

    Colega João Gualberto, você está certíssimo quanto à postura dos nossos representantes. Realmente a "ala intelectual" dos sindicatos, com Augusto "Chico Buarque" e Gonçalo "FHC", talvez estejam influenciando a menos erudita Zezé, e por consequência ela esteja tendendo ao dramalhão mexicano e no melhor estilo "chiquitita" apele ao "bom coração" da Presidente. Pena que até o momento a Presidente tem demonstrado mais ter sim o "coração bom" e não o "bom coração", caso contrário este não resistiria a tantas intempéries desde o início da sua posse, já que a gestão deve se iniciar agora em julho. Por outro lado, aposto que o Pleno vai rever os descontos, não por questões afetivas e sim para preparar o terreno para o fim de julho, quando será dado conhecimento a categoria da impossibilidade da concessão imediata dos 18%. Ou seja, se não desconta os dias parados em maio e junho e os colegas resolvem entrar em greve em agosto (já que a assembléia é 30/07), sem esperar fechar o quadrimestre como a Presidente anunciou, é campo propício para o confronto e aí sim com descontos de verdade. A categoria já sentiu no bolso o estrago que os descontos podem trazer, e deve ponderar tudo isto antes de uma nova greve. Agora, colega João, me mate uma curiosidade: porquê é mesmo que chamam o Augusto do Sintaj de Chico Buarque?

  • joão gualberto mailto

    Ter 29 Jun 2010 21:41

    Carlos
    Não tenho tanta certeza se o TJ vai devolver nossos salarios.Depois daquela declaração de ZEZÉ,ALZIRA etc na TV servidor apelando para o coração bom da Presidente perdi as esperanças.Se eu fosse o TJ , depois de assistir aquelas cenas pateticas, aquela estultice de ZEZÉ, apelando para o bom coração da chefe, eu não devolveria nada.A questão é politica e nossa liderança maior apela para o bom coração.Também...., com a assessoria de CHICO BUARQUE (AUGUSTO DO SITAJ) e do PROFESSOR FHC (GONÇALO/SINTAJ) não poderia acontecer nada melhor.FORA as diretorias dos sindicatos, Fusão e eleiçoes JÁ

  • Carlos mailto

    Ter 29 Jun 2010 21:20

    Faltou apenas o colega Osenar mencionar outro fato importante nesta greve, que foi o apoio da base à recomendação do CNJ para que a Presidente demitisse todos os não concursados, chamados por ele (CNJ) de "Clientes C". Neste caso, mais uma vez se colocou colegas contra colegas, a exemplo do ADF. Viu-se muitos colegas pleiteando a demissão de outros por não terem ingressado no Judiciário via concurso público. Raciocínio semelhante ao dispensado ao ADF: "se eu tive de fazer concurso, porque eles não? só porque estão aí há mais de vinte anos?". Estas e outras aberrações ganharam destaque na massa ensandecida que seguiu os doidinhos, sem atentar que atingiriam o próprio pé, na medida em que demitiriam até alguns de seus líderes. Agora, o CNJ volta suas baterias contra esses servidores por ele chamados de Clientes C, e pode mandar para a rua milhares de servidores, alguns até de cartórios extrajudiciais que não são concursados mas que estão trabalhando no Judiciário a bastante tempo.

  • Chico Buarque

    Ter 29 Jun 2010 19:43

    Outro fato, não inédito, mas relevante, foi a desenvoltura de Augusto na condução das assembléias. Aliás porquê é mesmo que chamam ele de "Chico Buarque"?

  • Carlos mailto

    Ter 29 Jun 2010 15:48

    Quanto à questão dos 18% do PCS, a Presidente já informaou aos sindicatos, conforme divulgado durante a greve ( o famoso "devo não nego, pago quando puder"), que só será possível avaliar, após o fechamento do quadrimestre. Ou seja, os 18% estão garantidos, agora, quando pagar, tem que esperar até agosto. Portanto, na data da assembléia ainda não se terá uma posição quanto ao pagamento destes 18%. Sobre a "crise de representação sindical", aparentemente, as Diretorias seguem firmes, fortes e confiantes. Este quadro só mudará se o Pleno resolver manter os descontos, o que acho muito difícil, como amanhã ficará comprovado. Agora, tem que pressionar os sindicatos, pela formação deste Grupo de Trabalho logo, sob risco de ele já aparecer pronto.

  • Monica

    Ter 29 Jun 2010 14:33

    Gostei muito, Osenar. Sempre lúcido.

  • Edmo Lima mailto

    Ter 29 Jun 2010 14:10

    Parabéns companheiro OSENAR, seu texto merece os nossos elogios pela clareza e por retratar com fidelidade os fatos. Um grande abraço do seu amigo e companheiro de luta, Edmo.


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