O rancor do corte dos salários  escrito em sábado 03 julho 2010 13:19

Blog de sempadrinhos :SEM PADRINHOS, O rancor do corte dos salários

A reunião do Pleno, no último dia 30, nos revelou até que ponto vai o rancor com a categoria que, de forma ousada, amplificou as irregularidades apontadas pela nota técnica do CNJ e reveladas pelo Portal Transparência.

Se a nossa reação fosse de indignação passiva, mantendo o silêncio perante a sociedade, poderíamos até ter iniciado a greve, com outra palavra de ordem, sem provocar as conseqüências vistas.

Mas ao gritarmos por moralização, despertamos a fúria do Titã que, para garantir o poder, foi capaz de comer os próprios filhos, vez que eles, acreditava a figura mítica, repetiriam a história anteriormente vivida, quando derrotara o próprio pai.

Cortar os dias trabalhados nesta primeira etapa causou enorme transtornou para a categoria, que já imagina aquele que virá no final deste mês, com o corte prometido referente aos dias de junho.

Nem mesmo a folclórica notícia, veiculada pelo SINPOJUD, de que será paga a parcela legalmente devida do PCS, se confirmada, conseguirá amenizar a indignação que a decisão do pleno significou.

Não só pelo prejuízo financeiro, comprometendo a subsistência de cada um dos servidores atingidos, muitos arrimo de família, mas pelo ato revestido de caráter revanchista.

Será que, ao atingir o bolso dos servidores, a direção do TJ conseguirá submeter cada um deles ao seu domínio?

Cremos que não, e vemos nesse ato uma chama que poderá provocar incêndio de difícil controle, porque as perspectivas não são boas, agravadas com a possibilidade da concessão da CET, o que fatalmente irá comprometer as finanças do poder que, por conseqüência, não poderá atender a todas as demandas e, assim, a cada dia, a crise irá se aprofundar.

O que já se encontra precário, o serviço prestado pelo poder, irá atingir níveis cada vez piores, confirmando o que já se sabe, que nós somos o pior tribunal do Brasil.

Não pensem que somente nós servidores pensamos assim. Algo semelhante ao que vimos na reportagem sobre a situação de São Paulo, quando opiniões, camufladas pelo anonimato, entraram em sintonia com a postura dos servidores.

A pequenez do ato do pleno foi inútil, porque a carência financeira momentânea será resolvida, com maior ou menor dificuldade, mas o sentimento que gerou em 8000 servidores sobreviverá no tempo, e aí reside o perigo. Sequer podem contar com a intermediação dos sindicatos, vez que não vivem eles o melhor momento para angariar a simpatia dos servidores, aparando arestas entre os conflitantes.

Desconsiderar esta raiva é imprudente, porque, de uma maneira ou de outra, as coisas mudam, é fato da vida.

Exemplo construtivo temos quando a iniciativa popular, através de meios legais, dizem não às práticas que repudiam, tal qual se deu com a lei da ficha limpa. Algo semelhante poderia acontecer, por exemplo, para que as presidências dos tribunais sejam preenchidas em decorrência de eleição direta, e os eleitores sejam os membros componentes do poder, todos, sem exceção.

Muito mais interessante seria pensar em construir o futuro do tribunal, contemplando sua base, com salário digno, com condições decentes de trabalho, com equidade e isonomia e, principalmente, com respeito.

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10 comentário(s)

  • Danuza

    Ter 06 Jul 2010 03:06

    Sonia, parece que a colega ficou magoada com o meu comentário. Não tive a intenção de deixá-la irritada, apenas acho você pode gastar a sua energia com o objetivo maior de resgatar a nossa dignidade e respeito perante a opinião pública. Sabemos que lamentavelmente a PROPINA representa uma prática perniciosa e muito frequente utilizada por vários colegas, que icom isso maculam a imagem de toda categoria. Não é raro presenciarmos em conversa informais, pessoas relatando com riquezas de detalhes diversas situações que envolvem a cobrança de PROPINAS, por parte de colegas. Isto é terrível! Nesses momento, confesso que sinto vergonha em dizer que sou serventuária.
    Assim, respondendo ao seu questionamento afirmo que a minha capacidade produtiva vincula-se diretamente a participação ativa no movimento que começa a ser inaugurado dentro da nossa categoria ,contra a PROPINA cobrada nos cartorios. Estarei inserida neste contexto de maneira incondiconal, pois acredito que é dessa forma que iniciaremos verdadeiramente o processo de MORALIZAÇÃO do judiciário. Não participará e não apoiará apenas aqueles que tem o rabo preso.
    Assim, quero aproveitar a oportunidade para convidar a colega a participar do movimento contra a PROPINA , pois imagino que você também prima pelos principios da honestidade e dignidade.

  • antimarajá

    Seg 05 Jul 2010 22:42

    Como falar em propina em cartório se o TJ-Ba homologou a propina do colarinho branco que é o adicional de função?

  • Gessica

    Seg 05 Jul 2010 16:26

    Levantar a bandeira da erradicação da propina é tarefa do TJ, não da própria categoria, pois com isto, só vamos fazer o que eles querem : a desunião da categoria. Quem é propiniro, vive no risco de a qualquer momento ,ser processado e ser demitido a bem do serviço público, haja vista a matéria veiculada na imprensa em alguns meses sobre a propina. Esta é uma tarefa do TJ.

  • Sonia

    Seg 05 Jul 2010 16:22

    E vc SRª Danuza, qual a sua capacidade produtiva posta em ação? estou aguardando.

  • Tereza mailto

    Seg 05 Jul 2010 12:37

    Muito bem colega Danusa, como disse a nossa colega Anônimo, vamos orquestrar uma frente contra a Propina nos cartórios.É o Movimento NAP (Não À Propina). Já temos o colega Jonas Marinho, o colega Carlos, o colega João Gualberto, a colega Danusa e agora a colega "anônimo", que está certa em não se identificar, pois talvez tenha medo de represálias por parte dos "propineiros cepeefistas". Eu própria já trabalhei no tabelionato uma época e era um horror, se você não aderisse ao "esquema", era hostilizado. Mas hoje os tempos são outros. Moralização Já. Movimento NAP.

  • Danuza

    Seg 05 Jul 2010 01:04

    A colega Sônia é mesmo do contra. Não acredita em nada e fica sempre levantando dúvidas sobre tudo. Que chato!!!!! Por que você não adere ao movimento do fim da PROPINA que o colega Jonas Marinho vem sugerindo insistentemente neste blog. Tenha coragem e asuma uma postura mais produtiva para toda a categoria.....

  • Sonia

    Dom 04 Jul 2010 22:50

    Cadê o RHNET? E O PORTAL TRANSPARÊNCIA? COMO VAMOS ACOMPANHAR O CUMPRIMENTO DA LIMINAR PELO TJ, JÁ QUE NO MÊS DE JUNHO NÃO FOI RESPEITADO? E AGORA? COMO DISSERAM POR AÍ, QUANDO DA PREPARAÇÃO DA EXTINÇÃO DO IPRAJ: " TEM COISA LÁ, VAI SER NECESSÁRIO MUITA MAQUIAGEM, DAÍ OFF-LINE DEVERÁ ESTAR"...

  • Anonimo

    Dom 04 Jul 2010 16:29

    Orquestradinhos os comentários! Como são bobinhos!

  • Carlos mailto

    Dom 04 Jul 2010 13:54

    Perfeito colega Jonas Marinho, suas colocações, como sempre, muito lúcidas e sensatas. Não podemos melhorar a nossa imagem nem perante nós mesmos se não acabarmos com esta corrupção desenfreada, manifestada sob a forma de Propina (CPF). Tão logo extirpemos esse câncer do nosso meio, alçaremos vôos maiores. Agora já demos um grande passo pois o ADF foi extinto através de Lei. Resta-nos agora centrar o foco na Besta, que é o CPF. Não à Propina. Movimento NAP lançado!

  • jonas marinho mailto

    Dom 04 Jul 2010 02:44

    O rancor contra nos sempre existiu.Agora que nos organizamos tende a crescer.Aquela coisa da indignação passiva que agora não existe.Sendo evangelico não pratico o incitamento ao odio entre irmãos e sinto na pele que infelizmente este é um saldo da greve.Pregamos a moralização, a transparencia e esquecemos, repito,esquecemos de levantar a bandeira da moralização da nossa categoria,através de campanha contra a cobrança de propina nos cartórios.Qual juiz ou advogado que nos apoiarão se os colegas mantem esse comportamento?Durante a greve a tabela da PROPINA dobra,por essa razão vemos na assembleia um monte de colegas defendendo a paralização.Na greve de julho devemos mobilizar a categoria e a sociedade contra o AF e contra a Propina senão nada ganharemos de novo.


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